O perigo da inadimplência

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As vantagens para quem se formaliza são evidentes, mas há também uma série de obrigações que, a partir da formalização, não podem ser negligenciadas

Inofensiva quando mantida dentro de um patamar administrável, em que o equilíbrio financeiro, os investimentos e a satisfação das obrigações tributárias não sejam prejudicados, a inadimplência assume proporções de problema — e dos grandes — para uma em cada dez pequenas e médias empresas brasileiras, que acumulam atrasos de pagamentos em nível elevado (acima de 10%), conforme pesquisa realizada pela Boa Vista e Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC).

O levantamento, baseado em informações fornecidas por 949 pessoas jurídicas de nove Estados e Distrito Federal, apontou ainda que uma em cada quatro empresas desse segmento convive com uma inadimplência que vai de baixa a considerável (3% a 10%), enquanto 34% delas registram índices inferiores a 3%.

Evitar que a inadimplência ultrapasse o limite do administrável e comprometa a saúde financeira do empreendimento é, para pequenos e médios empresários, um desafio administrativo e mercadológico cujos resultados podem levar ao sucesso ou à falência. O desaquecimento da economia — gerado, em parte, pelo próprio endividamento da população — leva os consumidores a refrearem seus gastos e a se tornarem mais seletivos na escolha de produtos e serviços. Planos são desfeitos, hábitos revistos, despesas adiadas, e as consequências disso tudo são sentidas na boca do caixa, por aqueles que vendem produtos e serviços.

Para não perder clientes e manter o volume de negócios, muitas vezes o empresário flexibiliza as exigências sobre a forma de pagamento. Com mais facilidades para pagar, as vendas deslancham, mas isso torna a empresa mais vulnerável a atrasos nos pagamentos e até mesmo a calotes.

Do pequeno comerciante que vende fiado para pessoas conhecidas, acreditando numa pontualidade que nem sempre existe, ao negociante que concorda em manter o fornecimento a um cliente habitual, mesmo que este não tenha saldado a fatura do mês anterior — todos assumem riscos que podem, em curto espaço de tempo, descapitalizar a empresa e prejudicar o fluxo normal de pagamentos, levando o empresário a buscar um empréstimo bancário, atrasar pagamentos a fornecedores ou deixar de recolher tributos.

É uma situação perigosa, até porque atrasos com o Fisco resultam, hoje, em multas pesadas e juros altos, ao passo que o crédito bancário, além de mais difícil, também está mais caro. Em situações extremas, altas taxas de inadimplência podem inviabilizar totalmente um empreendimento.

Isso não é um problema só do empresário. Ou, pelo menos, não deveria ser.

Nos últimos anos, o Brasil tem feito um esforço muito grande pela formalização de profissionais autônomos e os chamados “empreendedores informais” dos setores comercial e de serviços. As vantagens para quem se formaliza são evidentes, a começar pela inserção no sistema previdenciário, mas há também uma série de obrigações que, a partir da formalização, não podem ser negligenciadas — e, infelizmente, quanto a isso, parece que o nível de informação dos empresários ainda é bem pequeno.

É importante que, além de estimular a conversão de informal para formal, os governos da União, Estados e municípios ajudem a preparar esses novos empresários para administrar seus negócios, evitando armadilhas como os altos índices de inadimplência.

Hoje existem serviços de apoio ao pequeno e médio empresário, como o Sebrae. Mas a desinformação ainda é grande, indicando a necessidade de um esforço ainda maior, nos três níveis de governo, para profissionalizar a gestão de pequenas e médias empresas e torná-las mais resistentes às dificuldades. Não existe economia forte com empresas fracas. O projeto de uma economia nacional forte passa, necessariamente, por políticas governamentais capazes de orientar pequenos e médios empresários sobre como agir diante de fatores que causam a mortalidade das empresas.

Fonte: Jornal Cruzeiro do Sul

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